3 de Março, 19h: “Amar, Beber e Cantar”

Amar...

Realização: Alain Resnais

Intérpretes: Hippolyte Girardot, Sabine Azéma, Caroline Silhol, André Dussollier e Sandrine Kiberlain

FRA, 106ʼ, 2014, M/12

No condado de Yorkshire, Inglaterra, três casais são abalados pela triste notícia de que George Riley, um amigo em comum, sofre de uma doença terminal e que lhe restam seis meses de vida. De forma a aliviar a dor de George e proporcionar-lhe alguma alegria nos últimos meses, os seis decidem convidá-lo para se juntar ao seu grupo de teatro amador. O que ninguém esperava era que aquela aproximação fizesse vir ao de cima muitas histórias do passado que iriam alterar a dinâmica entre cada casal. E as coisas complicam-se quando George – que, no filme, nunca chega a ser visto ou ouvido – resolve fazer uma viagem a Tenerife, Espanha. Cada uma das mulheres, determinada a marcar a diferença na vida dele, quer acompanhá-lo, deixando os seus respectivos maridos em total perplexidade…

Adaptando “Life of Riley”, uma peça de Alan Ayckbourn, esta é a derradeira obra de Alain Resnais, o celebrado realizador de “Hiroshima Meu Amor” (1959), “É Sempre a Mesma Cantiga” (1997), “Corações” (2006) e “As Ervas Daninhas” (2009), entre outros. Os actores são uma mistura de presenças regulares e estreantes na companhia do cineasta: Sabine Azéma, Hippolyte Girardot, Caroline Silhol, Michel Vuillermoz, Sandrine Kiberlain e André Dussollier. PÚBLICO

 

Alain Resnais brinca ao teatro

“Amar, Beber e Cantar” ficou como o irónico testamento de um dos mestres do cinema francês.

“Amar, Beber e Cantar”, título final de Resnais, é mais uma exuberante confirmação do seu gosto pelo teatro e, mais do que isso, pela teatralidade como elemento visceral das relações humanas.

O filme assinala o reencontro com o teatro do inglês Alan Ayckbourn, que já tinha servido de inspiração a Resnais em “Smoking/No Smoking” (1993) e “Corações” (2006). A partir da peça “Life of Riley”, “Amar, Beber e Cantar” confunde­se, afinal, com uma parábola irónica sobre a própria criação artística — tudo se passa, convém referir, no seio de um grupo de amigos que preparam uma peça com esse misterioso Riley de que todos vão falando… Pelos seus diálogos perpassa o sentimento eufórico e paradoxal da fragilidade da vida vivida, da atracção da vida representada.

No fundo, Resnais nunca se afastou da ideia segundo a qual o cinema, em vez de “transcrever” a vida humana, é algo que se inscreve nela como uma espécie de espelho: por um lado, vemo­nos como somos; por outro lado, aquilo que vemos é passível de ser discutido na própria verdade que transporta.

Com vários nomes emblemáticos da sua “troupe” de actores — Sabine Azéma, André Dussollier, Michel Vuillermoz, etc. —, “Amar, Beber e Cantar” ficou como um insólito e divertido testamento. Dando provas de uma alegria criativa de fazer inveja a muitos jovens criadores, Resnais encerrou a sua obra com um objecto admirável que, em última instância, celebra os prazeres da liberdade criativa.

Crítica de João Lopes (14 outubro ’14)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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