10 de Fevereiro, 19h: “Maïdan – A Praça”

MaidanRealização: Sergei Loznitsa

Documentário

Ucrânia, 130ʼ, 2014, M/12

Um documentário centrado nos conflitos ocorridos em Kiev (Ucrânia) durante o Inverno de 2013/14, que levaram à queda do presidente Viktor Yanukovich, e à sua fuga a 22 de Fevereiro. Com a clara intenção de fornecer um ponto de vista mais abrangente de tudo o que foi acontecendo ao longo do tempo e num esforço de não se circunscrever às intenções de apenas uma das partes, o realizador Sergei Loznitsa segue o progresso da revolução. Ao longo de vários meses de filmagens, foi captando os protestos pacíficos que juntaram mais de meio milhão de pessoas, mas também as sangrentas batalhas de rua entre os manifestantes e a polícia na Praça da Independência (ou Maïdan). PÚBLICO

 

 

Em “A Praça”, Sergei Loznitsa propõe um metódico trabalho de observação das convulsões recentes da história ucraniana — uma visão profundamente cinematográfica que evita os clichés televisivos.

 

Bem sabemos que, para o melhor e, sobretudo, para o pior, muitas vivências de rua são, hoje em dia, objecto de tratamento mais ou menos estereotipado pelas televisões — os spots (breves e acelerados) parecem mesmo, por vezes, intermutáveis.

Digamos que um filme como “A Praça”, de Sergei Loznitsa, pode ser um bom antídoto contra esse tipo de linguagem formatada. De facto, ele acompanhou os eventos da Praça da Independência, em Kiev, desde Novembro de 2013 até Fevereiro de 2014 (desembocando na queda do Presidente Viktor Yanukovych), procurando, não o clímax postiço, mas a complexidade das vivências humanas

Dito de outro modo: “A Praça” não é um filme determinista, reduzindo o real a mecanismos repetitivos de espectáculo (?), mas sim um exercício de contemplação, observação e montagem em que, além de tudo o mais, importa preservar a densidade do tempo em que tudo ocorreu.

Em 2006, Loznitsa tinha assinado “O Cerco de Leninegrado”, evocação dos 900 dias em que a população de Leninegrado resistiu às tropas de Hitler, apenas através de uma metódica organização de materiais de arquivo. Aqui, esse tipo de organização reaparece, com uma diferença, naturalmente, essencial: as imagens (e os sons) de “A Praça” resultam de uma experiência intensa, in loco, que se transforma em partilha cinematográfica.

Crítica de João Lopes, in CineMax

 

 

 

 

 

 

 

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