13 de Janeiro, 19h: “Ilo Ilo”

iloilo blogRealização: Anthony Chen

Argumento: Anthony Chen

Intérpretes: Yann Yann YeoTian Wen ChenAngeli Bayani

SINGAPURA, 99ʼ, 2013, M/12

Ilo Ilo retrata a relação entre a família Lim e da sua nova criada, Teresa. Como muitas filipinas, Teresa chegou a Singapura à procura de uma vida melhor. Mas a sua presença piora a já tensa relação entre os vários membros da família. Mas Jiale, o filho pequeno e traquina, acaba por criar laços com Teresa, que se torna parte da família. Mas estamos em 1997 e a crise financeira asiática começa a sentir-se na região.

Câmara de Ouro no Festival de Cannes 2014, para o Melhor Primeiro Filme

 

Uma família de Singapura

Ilo Ilo é um filme de rara atenção ao detalhe. Nas mais ignoradas decisões o filme encontra a matéria pela qual expressa as emoções e os julgamentos de umas personagens em relação às outras e até em relação à sua própria posição no mundo.
A banalidade de uma mulher limpar a tampa da sanita que o marido deixou suja ou de um homem rejeitar que seja a empregada a lavar o uniforme ganham uma relevância que assombra o público.
Um assombro nascido do reflexo que esses momentos têm no comportamento quotidiano de todos os que se sentam defronte do ecrã.
Pela particularidade da vida daquela família Anthony Chen dá-nos uma visão de uma realidade globalmente ressonante que não perde a singularidade da sua origem.
Que se passe há duas décadas atrás em Singapura, durante a maior crise financeira que afectou a Ásia, poderá ser uma coincidência significativa para o público ocidental mas ainda mais uma lição de como se terá de aprender a lidar com o presente quando ele se tornar uma memória.
O filme beneficia da ausência de uma intenção veicular relativamente a censuras morais dos comportamentos de então.
A visão discriminatória entre empregadores e empregados estabelece-se com a mesma imparcialidade da atrapalhação que os diferentes ritos religiosos causam no momento da refeição.
A realidade acontece e a reflexão que dela ou sobre ela possa ser feita não pertence ao domínio do realizador que consegue levar a sua câmara a desaparecer por completo, transformando composição (de cena) em observação.
O esquecimento da existência da separação entre público e intérpretes acontece tanto por causa do realizador como dos seu actores, cuja naturalidade não deixa de ter contornos interpretativos marcantes.
As mulheres vincando a memória da sua intervenção mais do que os homens, tal como é natural nas personalidades das suas personagens; com o pai a manter-se expressivo pelo silêncio (e pela ausência, mesmo quando está em cena); e o rapaz a desabrochar como actor em simultâneo com o desabrochar da sua personagem.
Pertence aos actores o coração do filme onde está a evolução da relação entre a criança e a sua ama. Da caprichosa rejeição inicial à dependência emocional.
Tal como à sua volta – e talvez quase tão importante – está a história de um casamento no seu momento mais difícil, do restabelecimento dos laços entre marido e mulher, pai e mãe. (Carlos Antunes, in Split Screen)

 

 

 

 

 

 

 

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