2 de Dezembro, 19h: “Quando a Noite Cai em Bucareste ou Metabolismo”

MetabolismRealização: Corneliu Parumboiu

Intérpretes: Diana Avramut, Gabi Cretan, Bogdan Dumitrache

ROM/FRA, 2013, 89’, M/12

Durante as rodagens do seu filme, Paul, o realizador, tem um caso com Alina, uma actriz que desempenha um papel secundário. No dia seguinte, supostamente o último dia de Alina nas filmagens, Paul decide filmar uma cena de nudez. Em vez de filmar a cena, o realizador diz ao produtor que lhe dói a úlcera que tem no estômago. O filme e a vida do cineasta gradualmente entrelaçam-se e as filmagens tomam um rumo inesperado.

Metabolismo é, em uma de suas várias camadas de compreensão, um filme sobre a requintada banalidade da feitura cinematográfica. Quando nos introduz à seu recorte de história através de um diretor e sua atriz discutindo sobre como o suporte digital e a de estender a duração do plano modificaram as possibilidades de construir um filme, Porumboiu oferece espaço para que o processo metalinguístico aconteça, mas não como um artifício ou uma atração; não parece uma maneira de se tornar autoconsciente ou rascunhar um diálogo político, mas sim uma maneira de se colocar, como um humano, frente à sua concepção da arte, e forçar-se à compreendê-la em sua totalidade. A condução algo cansativa desse passeio, acorrentados à imagem de dois personagens que, como nós, observam o trânsito de Bucareste com nenhum interesse enquanto teorizam sobre a longevidade do plano é um dos momentos mais sublimes e enervantes de consciência fílmica já filmados. Ainda em seu terceiro longa, o romeno -e quase todos os bons realizadores de sua terra, é verdade- fazem filmes que, na falta de melhor analogia, são como a música do Daft Punk: mergulhos intensos em microuniversos que, à beira de se perderem em seus próprios regimentos de ritmo e estilo, dão lugar a um outro universo tão intricado quanto o anterior, e assim sucessivamente, até o ápice que nunca chegará.

Em dado momento, os já citados personagens tentam ensaiar aquilo que parece ser um momento sem grande importância para seu filme dentro do filme; e no entanto, uma relação quase sadomasoquista de entrega e dúvida vai surgindo em paralelo, e por fim toma conta de toda a tela. A atriz busca entender o que seu diretor deseja, enquanto ele se diverte com a dúvida de não saber o quê realmente deseja extrair dela, tendo a condição de rei daquele minúsculo ambiente em seu favor. Momentos como este, em que a a presença de um corpo no espaço -e o desenrolar de seus gestos- se provam condição fundamental para a existência do filme, se multiplicam ao longo de Metabolismo; que curiosamente não tem o mesmo olhar humanista que os anteriores de Porumboiu, mas é tão ou mais orgânico que eles. O corpo visto por dentro, numa endoscopia, e o corpo visto de fora, numa sessão de maquiagem, encerram a caminhada minimalista com certa beleza asséptica e uma questão pulsante: Se a morte do cinema é, no fim das contas, a morte do corpo, vai ser impossível não encontrar resistência a este crime. Talvez seja uma homenagem ao ser cinéfilo, e eu aceito com muita alegria. (Felipe André Silva, in Pipocracia)

Corneliu Porumboiu’s wry and cryptically titled When Evening Falls on Bucharest or Metabolism is both oblique and about obliqueness, an indirect but nonetheless insightful observation on the nagging indecisiveness that plagues its Dante-esque antihero, Paul (Bogdan Dumitrache), a chain-smoking, coffee-chugging director who can’t seem to reconcile his life and ideas with the film he’s making. He’s stuck within a purgatorial production process that’s emotionally complicated by an affair he’s having with an actress, Alina (Diana Avramut), who plays a supporting character in his film. Downtrodden by the fact that there’s only two weeks left to shoot, Paul believes he’s also developing gastritis or an ulcer—or perhaps some sort of stress-triggered psychosomatic illness. Burdened by both physical and mental malaise, Paul’s constant equivocation serves as a frizzy line through the film’s static, long-take-heavy compositions.

Fitted in a black turtleneck sweater and expensive jeans, Paul looks and talks like a European director: His candor flip-flops between authoritative and neurotic attitudes, yet he’s constantly and unhealthily hunched over in a way that would make any doctor diagnose him with scoliosis. He espouses cinematic principles, such as striving for naturalism and behavioral truth, that one familiar with Porumboiu’s filmography would expect him to work and live by as well. In the film’s opening scene, Paul definitively explains to Alina how the concept of “a movie” will be radically different in 50 years thanks to digital film, which allows you to shoot for a long period of time without cutting “so you can depict reality more faithfully.” In this light, Porumboiu’s style of filming—from his use of 35mm to long takes—becomes nothing if not self-reflexive.

Porumboiu refreshingly never allows Paul’s crestfallen demeanor to demote into narcissistic, sad-sack listlessness, shaping a plausible depiction of a director trying to navigate his own feelings about an actress while dealing with unsatisfying dailies and delays in production: Alina’s minor role in his film has somehow turned into a more central one, and actor has taken to getting blitzed and destroying his hotel room. Although When Evening Falls is superficially focused on the behind-the-scenes process and logistics of making a movie, it functions best as a resigned character study told mostly through fluctuating power dynamics and roundabout conversations about life and cinema.

A majority of the film is structured via tête-à-tête conversations between Paul and Alina, which range from the exhaustive blocking of a very simple scene—which hilariously teeters on the bizarrely banal point of whether people actually use lint brushes to dust off their clothing—to the varying significance and sophistication of Eastern and Western cultural cuisine. Most of all, though, the film speaks most clearly about these characters’ behaviors and hang-ups through Paul and Alina’s acutely observed body language. When another Romanian director, Laur (Alexandru Papadopol), approaches them at a restaurant, you can see Paul recoil with hints of jealousy as Laur praises Alina’s resemblance to Monica Vitti (even though, amusingly enough, Alina is unsure of how to take the compliment since she’s unfamiliar with Michelangeo Antonioni and his famously detached muse).

Porumboiu has always exhibited an interest, humor, and self-assurance in formalism, as witnessed in the deadpan rigorousness of both 12:08: East of Bucharest and Police, Adjective, but his philosophical textures have never been so inward-seeking—fully investigating the minutia of a director’s life, as well as developing fully-formed characters. At once a microcosmic expression of frustration and another of auto-critique, When Evening Falls devilishly recalls and riffs on seemingly shapeless conversations between its very small ensemble of characters without succumbing to soporific navel-gazing. The opening lines of dialogue refer to a nude scene Paul plans to shoot with Alina, with whom he’s growing fonder and fonder, that he ultimately decides against. However, after a brief lovemaking session behind a slightly ajar door (Porumboui can’t resist his impulses for indirection), we see Alina lying topless on a bed while Paul takes a shower. She receives a phone call from her boyfriend and walks into the living room as Paul exits the shower and eavesdrops; it’s the direct inversion of a scene from Paul’s film they had just staged in the same setting, wherein Alina exits the bathroom and ends up listening to a secret conversation through a closed door.

In a lesser director’s hands, this meta-commentary would reduce the film to a mere puckish exercise of connect the dots, but When Evening Falls is also an enjoyably unforced and absurd slice of life reminiscent of Hong Sang-Soo’s soju-soaked conversational cinema. “When you’re filming, you put what interests you in the center, not at the margin,” a doctor points out as Paul and Magda (Mihaela Sirbu), the fed-up producer, watch Paul’s filmed endoscopy—itself perhaps fabricated by Paul—that Magda insisted Paul have performed on him. Via off-center blocking, however, Porumboiu finds a way to illuminate his whole space and tap into shrewd rhythms, undermining the conventional idea of staging commented on by the doctor. This aura of caginess is present throughout When Evening Falls, but Porumboiu implicitly proves his point: As one character comments in relation to the use of forks versus chopsticks, “Europeans satisfy the means more than the content.” And, in prioritizing form over content, Popumboiu shows that the rich underlying meanings can provide an even more rewarding experience for an invested audience on a similar wavelength. (Nick McCarthy, in Slant)

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