4 de Novembro, 19h: “E Agora? Lembra-me”

E Agora blogRealização: Joaquim Pinto

Cinematografia, som, montagem: Joaquim Pinto e Nuno Leonel

POR, 2013, doc, 164ʼ, M/12

Joaquim Pinto convive com o VIH e o VHC há quase 20 anos. “E Agora? Lembra-me” é o caderno de apontamentos de um ano de ensaios clínicos com drogas tóxicas e ainda não aprovadas para o VHC. Uma reflexão aberta e eclética sobre o tempo e a memória, as epidemias e a globalização, a sobrevivência para além do expectável, a dissensão e o amor absoluto.
Num vai e vem entre o presente e o passado, o filme é também um tributo aos amigos que partiram e aos que permanecem.

 

Lições de intimidade

“E Agora? Lembra-me”, de Joaquim Pinto, é um exemplo raro de um cinema capaz de aceder às vibrações mais delicadas da vida privada — um dos títulos maiores do mais recente cinema português.

 

Não é fácil, muito menos simples, decidir fazer um filme expondo a intimidade — a sua própria intimidade. Para além do desafio interior que tal implica, não podemos esquecer que vivemos um tempo em que, desde os horrores do “Big Brother” à irresponsabilidade da chamada imprensa “cor-de-rosa”, a noção de privacidade se tornou muitas vezes num dado irrisório, descartável, meramente instrumental no interior do mais baixo mercantilismo audiovisual.

Daí as singularidades de um filme como “E Agora? Lembra-me”. Por um lado, o realizador, Joaquim Pinto, parte de uma situação, no mínimo, perturbante: trata-se de começar por filmar o período do seu próprio tratamento, com drogas experimentais, contra os vírus VIH (sida) e VHC (hepatite C). Por outro lado, ao acompanharmos a existência do par formado por Joaquim Pinto e Nuno Leonel deparamos com uma experiência muito para além das fronteiras tradicionais do cinema e, em particular, daquilo que se convencionou chamar o “documentário”.

Dizer que nunca vimos um objecto deste teor no interior da produção cinematográfica portuguesa é dizer pouco — de facto, em qualquer contexto, são raros os filmes capazes de aceder deste modo ao que é do domínio privado, preservando as suas intensidades irredutíveis e solicitando o espectador para uma visão que se vai transfigurando numa saga imensa sobre o viver e o sobreviver, o amar e o ser amado, a matéria do corpo e as coisas imateriais, mas não menos intensas, para as quais já não temos nome.

Para além da delicadeza dos temas, para além da depuração dos olhares que o fazem mover, “E Agora? Lembra-me” é também um filme que nos ajuda a perceber um pouco melhor as potencialidades dos novos formatos digitais e, em particular, das câmaras que permitem aceder de forma serena à mais radical intimidade. Não se trata, como é óbvio, de qualquer fetichização da tecnologia. Trata-se, isso sim, de reconhecer que a dinâmica criativa do cinema se joga sempre a partir de relações específicas entre o aparato técnico disponível e a verdade humana de quem filma e é filmado — neste caso, Joaquim Pinto e Nuno Leonel conseguem o prodígio de estar de ambos os lados, para mais convocando o espectador para uma descoberta cúmplice. (João Lopes, in CineMax)

 

 

 

 

 

 

 

 

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