28 de Outubro, 19h: “Cadências Obstinadas”

cadencias_obstinadas_blogRealização: Fanny Ardant

Intérpretes: Asia Argento, Franco Nero, Nuno Lopes, Gérard Depardieu, Ricardo Pereira

FRA/POR, 96ʼ, 2013, M/12

Carmine e alguns amigos têm a ideia de restaurar uma velha pensão e transformá-la numa pensão de luxo. Para isso, delegam a tarefa em Furio (Nuno Lopes), que se entusiasma com a ideia e aceita o desafio. Porém, não esperava que tal empreendimento o absorvesse tanto nem que, por tal motivo, se visse cada vez mais afastado de Margo (Asia Argento), a bela mulher com quem casou e que abdicou da sua vida profissional (violoncelista) por amor. Por outro lado, apesar de ele estar a ficar cada dia mais obcecado com a tarefa a que se propôs, ela está decidida a recuperar o casamento…
Com argumento e realização da actriz Fanny Ardant, conta com produção de Paulo Branco. Do elenco fazem também parte os actores Gérard Depardieu, John Malkovitch, Franco Nero, Nuno Lopes, Laura Soveral, Ricardo Pereira e Johan Leysen. PÚBLICO

 

À procura do romantismo perdido

Fanny Ardant regressa à realização com um filme totalmente rodado em Portugal: “Cadências Obstinadas” tenta relançar um certo romantismo centrado no par, num espírito mais ou menos devedor da herança da Nova Vaga.

Será possível refazer, reinventar e voltar a celebrar o romantismo cinematográfico? Não apenas o romanesco (com todas as conotações literárias que tal possa envolver), mas essa sensação, ao mesmo tempo instintiva e cerebral, que faz com que um filme se coloque no centro mais enigmático das relações humanas?

Fanny Ardant, enquanto cineasta, acredita que sim — porventura pensando em alguns filmes ainda ligados ao espírito da Nova Vaga francesa, filmes a que ela emprestou o seu imenso talento de actriz (para nos ficarmos por um sublime exemplo, recordo “A Mulher do Lado”, dirigido por François Truffaut em 1981). A sua primeira realização — “Cinzas e Sangue” (2009) — assumia tal crença, num registo a meio caminho entre a crónica histórica e a parábola filosófica; agora, “Cadências Obstinadas”, aposta numa ambiência em parte semelhante, ainda que, a meu ver, menos consistente que a do filme anterior.

Digamos, para simplificar, que se trata de encenar o processo de decomposição afectiva de um par, interpretado por Asia Argento e Nuno Lopes, a partir de uma experiência muito concreta: a reconstrução de um velho hotel de Lisboa (o filme, inteiramente rodado em Portugal, tem chancela de produção de Paulo Branco) — os trabalhos de arquitectura e decoração definem, assim, todo um contexto metafórico em que se avalia a própria possibilidade do amor.

Infelizmente, algumas sugestivas deambulações narrativas — incluindo as pontuações musicais introduzidas pelo violoncelo da personagem de Asia Argento — vão-se perdendo numa teia que insiste nas mais diversas redundâncias “simbólicas”, não poucas vezes através de diálogos pesadamente demonstrativos. É pena, quanto mais não seja porque perpassa pelo filme um certo espírito experimental que vem da herança plural da Nova Vaga, além do empenho em olhar Lisboa para além das facilidades do bilhete postal…

João Lopes, in CineMax

 

 

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