21 de Outubro, 19h: “Fruitvale Station – A Última Paragem”

Fruitvale StationRealização: Ryan Coogler

Intérpretes: Michael B. Jordan, Melonie Diaz, Octavia Spencer

EUA, 85ʼ, 2013, M/12

A história verídica de Óscar Grant, (Michael B. Jordan), de 22 anos, residente da zona da baía de São Francisco, que acorda na manhã de 31 de Dezembfro de 2008 com a sensação de que algo de estranho se passa. Sem certezas, toma isso como um sinal para recomeçar a sua vida e toma as seguintes resoluções: ser um melhor filho para a sua mãe, que faz anos nesse dia, ser um melhor namorado para a companheira Sophina, com quem não tem sido completamente honesto, e ser um melhor pai para Tatiana, a sua filha de 4 anos. Os primeiros contactos de Óscar com amigos, família e estranhos correm bem mas, ao longo do dia, ele apercebe-se que a mudança não será fácil.

Até que surge o encontro nocturno com um grupo de agentes da polícia na estação de metro de Fruitvale.

 

Um realismo apoiado nos actors

Distinguido no Festival de Sundance, “Fruitvale Station” é um dos momentos altos da produção independente americana do ano de 2013 — o realismo social e psicológico reafirma a sua vitalidade.

Como alguns comentadores americanos escreveram, foi pena que o filme “Fruitvale Station” (entre nós lançado com o subtítulo “A Última Paragem”) não tivesse chegado, pelo menos, às nomeações para os Óscares. Não por qualquer noção de “justiça” (deixemos essas preocupações para os comentadores de futebol que falam dos jogos como se fossem um tribunal…); antes porque nele encontramos a afirmação simbólica de uma linha de força hoje em dia vital na produção dos EUA (e não só). A saber: a defesa de um realismo, social e psicológico, que resiste a qualquer facilidade naturalista.

Aliás, neste caso, a opção realista afigura-se tanto mais decisiva quanto Ryan Coogler (argumentista & realizador) trabalha a partir de um facto verídico, ocorrido na estação da área de São Francisco identificada no título. Foi na noite de passagem do ano de 2008 para 2009 e teve Oscar Grant III (Michael B. Jordan) como trágico protagonista — mais ainda: da ocorrência, durante uma rusga da polícia, existem imagens de telemóveis de vários passageiros.

Podia ser um panfleto mais ou menos previsível sobre a comunidade afro-americana e a acção das forças policiais. Mas Coogler tem o bom senso de resistir a qualquer discurso do género, construindo o seu filme a partir de um pressuposto muito simples, mas decisivo. Que é como quem diz: antes do desenlace trágico da história de Oscar Grant III, existe uma personagem, o seu ambiente, a sua família.

Distinguido no Festival de Sundance (Grande Prémio do Júri), “Fruitvale Station” confirma a vitalidade de uma produção independente que não desiste de abordar o qutotidiano made in USA para além de qualquer caracterização típica de uma reportagem televisiva. Por alguma razão, este é um cinema de continuada (re)valorização do trabalho dos actores e da intensidade humana que o seu labor empresta à ficção. Com ou sem Óscares, essa é uma tendência fundamental.

Crítica de João Lopes

 

«Fruitvale Station» (A Última Paragem) por Roni Nunes

Essa grande sensação do Festival de Sundance de 2013 chega a Portugal um ano depois e quando o hype politicamente correto já tem o seu ceptro passado para o vencedor do Oscar de 2014. Talvez por isso e, numa visão mais serena, esta obra de estreia de Ryan Coogler já não pareça tão entusiasmante.

Esta crónica de uma morte anunciada parte de um incidente trágico ocorrido na passagem de ano de 2008 para 2009 na estação que dá nome ao filme – localizada em Oakland, área metropolitana de São Francisco. No filme acompanha-se retrospetivamente as últimas 24 horas de uma das personagens do episódio.

Como todo a história que começa pelo fim, não é fácil a vida do argumentista (o próprio Coogler) em evitar o óbvio, principalmente quando os princípios que o norteiam são bastante explícitos – fazer com que o espectador simpatize com este personagem (vivido pelo ator Michael B. Jordan) que já foi preso por tráfico de drogas e tenta reconstruir a sua vida familiar e afetiva com a mulher e a filha.

Cinematograficamente, é um filme correto, que segue fielmente a cartilha do cinema indie norte-americano e, mesmo se sabendo de antemão o final, consegue bons momentos de emoção. Mas não apaga a sensação de que, no que se refere a filmes baseados em factos verídicos, sobre injustiças e abusos policiais, já se viu mais e melhor.

O Melhor: a sequência da estação perto do final
O Pior: no todo é demasiado óbvio

– See more at: http://www.c7nema.net/critica/item/41126-fruitvale-station-a-ultima-paragem-por-roni-nunes.html#sthash.1g4VVVvN.dpuf

 

 

 

 

 

 

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