7 de Outubro, 19h: “Nebraska”

nebraskaRealização: Alexander Payne

Intérpretes: Bruce Dern, Will Forte, June Squibb

EUA, 115ʼ, 2013, M/12

Apesar do desencanto com a vida e da sua idade avançada, Woody Grant (Bruce Dern) decide fazer uma longa viagem, de Montana ao Nebraska, para reclamar um prémio de um milhão de dólares que julga ter ganho através de uma revista. Apesar do desacordo da esposa (June Squibb) e do resto da família, que o considera demente e pondera colocá-lo num lar de idosos, David (Will Forte), o filho mais novo, decide fazer-lhe a vontade e acompanhá-lo nessa jornada, mesmo ciente da inutilidade do projecto. Assim, durante esse percurso, pai e filho acabam por romper as barreiras que os anos tinham erguido, criando laços que há muito julgavam perdidos.
Em competição pela Palma de Ouro na edição de 2013 do Festival de Cannes – onde Bruce Dern arrecadou o prémio de Melhor Actor -, uma história filmada a preto e branco com assinatura de Alexander Payne (“As Confissões de Schmidt”, “Sideways”, “Os Descendentes”), segundo um argumento de Bob Nelson. “Nebraska” teve ainda seis nomeações para os Óscares, nas categorias de melhor filme, realizador, argumento original, fotografia, actor e actriz secundária (Bruce Dern e June Squibb, respectivamente). PÚBLICO

 

Uma América revista a preto e branco

Dominado pela interpretação do veteraníssimo Bruce Dern, “Nebraska”, realizado por Alexander Payne a partir de um argumento de Bob Nelson, aposta na revisitação de uma América interior e esquecida, fotografada em imagens a preto e branco

É bem verdade que o grande cinema pode ser feito no interior dos modelos mais correntes, porventura mais populares. Mas também é um facto que, por vezes, os grandes filmes são aqueles que arriscam em zonas completamente distantes da moda, assumindo diferenças que os tornam quase marginais… É o caso do belíssimo “Nebraska”, de Alexander Payne, proporcionando ao veterano Bruce Dern um regresso tão admirável quanto comovente.

“Nebraska” escapa, desde logo, a qualquer norma instalada através da escolha do seu (anti-)herói. Woody Grant (Dern) é um velho rabugento e alcoólico que, um dia, recebe pelo correio uma daquelas notícias de candidatura a uma lotaria… Convencido que ganhou mesmo um milhão de dólares, vai viver uma odisseia bizarra que o leva de sua casa, no estado de Montana, até Lincoln, Nebraska, para reclamar… o seu prémio!

Dito assim, poderá parecer uma comédia mais ou menos pitoresca. E é um facto que “Nebraska” é um objecto atravessado por muitas formas de ironia, umas vezes divertida, outras profundamente amarga. Em qualquer caso, no núcleio da sua construção dramática (brilhante argumento de Bob Nelson!) está o diálogo entre Woody e o filho David (Will Forte) que, mais ou menos contrariado, o acompanha na sua estranha diáspora — afinal, esta é também uma aventura de mútua descoberta.

Para Alexander Payne, o essencial joga-se na exposição de uma América interior, esquecida, de uma serenidade insólita, marcada de forma paradoxal pelas crenças e ilusões do “American Dream”. Pode dizer-se, por isso, que “Nebraska” é um filme que vem revalorizar os cânones de um realismo “on the road”, empenhado em expor a vida íntima dos lugares mais esquecidos e, sobretudo, as histórias de personagens em tudo e por tudo alheias a qualquer conceito de heroísmo.

 

Sem que isso envolva qualquer facilidade formalista, importa sublinhar o mais óbvio: o essencial dessa dinâmica realista joga-se, em grande parte, através da admirável fotografia a preto e branco, assinada por Phedon Papamichael. Que ele tenha uma das seis nomeações de “Nebraska” (incluindo a de melhor filme e  melhor actor, para Dern), eis o que envolve um peculiar valor simbólico — afinal, em tempos de tanto novo-riquismo “colorido”, ainda há quem não tenha medo de uma energia visceralmente nostálgica. (João Lopes, in Cinemax)

 

 

 

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