23 de Setembro, 19h: “História da Minha Morte”

CasanovaRealização: Albert Serra

Intérpretes: Vicenç Altaió, Clara Visa, Noelia Rodenas

FRA/ESP, 2013, 148’

Giacomo Girolamo Casanova nasceu em Veneza, Itália, em 1725. Célebre pela sua existência de libertinagem e crime, foi um conquistador e amante constantemente instigado por um desejo de aventura e conhecimento que nunca o abandonou, nem na velhice. O seu espírito audaz leva-o a passar grande parte da vida em viagens por toda a Europa, onde vai encontrando algumas das mais importantes personalidades do seu tempo. Mais tarde, já de idade avançada, dedica-se à escrita das suas memórias, a que dá o nome de “História da Minha Vida”, e que constituem um extraordinário testemunho do pensamento do séc. XVIII.
Neste “História da Minha Morte”, realizado pelo espanhol Albert Serra (“Honra de Cavalaria”), Casanova passa os seus últimos dias em terras pobres do Leste da Europa. Lá, a sua existência mundana e o seu pensamento racionalista são confrontados com uma nova força representada por Drácula, a personagem que encarna o desejo e a sedução em si mesmo. PÚBLICO

Vencedor do Leopardo de Ouro no Festival de Locarno 2013.

 

Só alguém tão irreverente como Albert Serra podia trazer ao Cinema um filme com Casanova e Drácula em simultâneo. Ele, que já havia adaptado personagens literárias ao grande ecrã anteriormente, tem dado que falar com o seu novo filme, Història de la meva mort, já vencedor de prémios, como em Locarno.

É sempre delicado falar de um filme cujo realizador é alvo de constantes polémicas. Certo também seria de que se não o fosse, os seus filmes também não seriam assim. Serra é extremista em vários aspetos cinematográficos, entre eles o chamar aos atores de idiotas (Albert Serra recorre a não-actores), o constante improviso em diálogos (ou monólogos) presentes no filme, etc… O próprio já admitira que encarava a narrativa como um fardo e obstáculo à diversão de que é construir um filme. Talvez tenha ido demasiado longe, visto que a estrutura narrativa é talvez dos pontos mais fracos do filme.

Adiante, o realizador, alvo de enúmeras influências notórias, como Bresson (a nível de escolha e direção de atores), Kubrick (neste filme, nas cenas noturnas ilumindadas por velas) e influências por parte do expressionismo alemão (também neste filme, a partir da 2ª metade), tenta arrancar aqui uma obra única. Consegue, de um certo ponto de vista, apenas por ir buscar tantas e tão diversas referências/influências que acaba por criar de facto um filme singular e curioso.

No 1º acto, é interessante o modo com que Serra filma a época. Opta por um realismo não tão elegante como a grande maioria dos filmes históricos. O cenário não brilha ou é excessivamente colorido; os trajes não são elegantes;  a luminosidade não é majestosa. É tudo real, bastante real. É a época retratada, sem embelezamento. É monótono, não encanta os olhos, mas arrasta-nos para um universo mais credível. Até a hipersonoridade da natureza nos ajuda para isso. A primeira metade funciona como um interessante estudo de época e de relações (a nível de diálogos e interacção entre as personagens funciona bastante bem), mas peca por não ter conteúdo suficiente, caindo no exagero quando nos mostra o protagonista sempre a comer, a rir e até a fazer as necessidades (desnecessário).

Na 2ª metade, o filme ganha uma intensidade algo bizarra. As fragilidades do ritmo narrativo sentem-se e os tons do filme alteram-se por completo. Torna-se mais sombrio, o que é justificável,  com a entrada da personagem do Drácula. Sente-se também por esta altura que o filme se arrasta sem necessidade para tal.

No final temos um filme complicado. São demasiados ingredientes numa obra que aparenta querer ser simples. Há demasiada informação e conteúdo interessante, que devia ser explorado, e não escondido, num filme que tem muito poucas falas, em que todos os planos são longos e com a omnipresença da Natureza. Parece que fica algo por mostrar. No fim não se percebe o que o filme quer ser.

O melhor:  Casanova e Pompeu; um realismo diferente no 1º ato; a sequência inicial musicada; a peculiaridade da obra.
O pior: Instabilidade na estrutura narrativa; mudança drástica de tom que soa a improvisada e caricata.

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