9 de Setembro, 19h: “Sacro GRA”

Sacro GRA blog

Realização: Gianfranco Rosi

ITA, 2013, 93’

Conduzindo a sua carrinha, o documentarista Gianfranco Rosi segue viagem através do GRA (Grande Raccordo Anulare), a auto-estrada que circunda Roma.

Aqui, longe dos lugares mais belos da cidade, são contadas as histórias de vida dos seus habitantes e da miséria existente para lá dos lugares visitados por milhões de turistas. Durante mais de dois anos, Rosi filmou pessoas reais em situações reais, imagens que depois montou em filme.

O resultado foi uma obra sobre a pobreza na Europa do século XXI.
“Sacro GRA” ganhou um Leão de Ouro no Festival de Veneza, tornando-se o primeiro documentário a receber o galardão. PÚBLICO

 

 

Sacro GRA, um nome que em italiano nos parece tão bonito e romântico, e que em Portugal seria o mesmo que criar um filme chamado “A2”, ou IC19. No entanto, e percebe-se isso desde o início, mal nos avisam que Sacro Gra é uma autoestrada que atravessa Roma e a une a vários pontos, sabemos que o filme não será sobre uma autoestrada, mas sobre os vários “sabores” de uma cidade, que é mais conhecida pelos seus pontos turísticos do que pelo seu povo.

Aqui, Sacro GRA servirá de metáfora e será ela que nos levará às diferentes paisagens contrastantes da cidade de Roma. Para isso são-nos contadas várias histórias, num estilo narrativo de documentário, sem intervenção que o guie ou lhe dê estrutura. A estrutura e o rumo da obra são dados através das histórias dos seus habitantes. Neste caso, o povo de Roma: havendo espaço para dar voz àqueles que, normalmente, não a têm: desde as prostitutas, ao especialista em palmeiras, passando pelo bombeiro e o actor de fotonovela.

Enquanto isso, vão sendo filmadas paisagens – feias ou bonitas, é discutível – que, acima de tudo são sinceras; mostrando o lado mais “lunar” de Roma. Em suma: mostram o verdadeiro, servindo como uma espécie de carta de amor à população romana.

Certo é, que o facto de ser não-interventivo e de não ter um estrutura fixa faz com que nos percamos, com tudo aquilo que isso tem de bom e mau. A verdade é que nunca sabemos se estamos no início, a meio, ou no fim do filme, sendo adicionadas personagens novas em vários momentos

Há também espaço para a genuína graça inusitada. Como quando o homem das palmeiras, que também é especialista em todo o género de insectos que as destroem, explica os rituais de orgia que o caruncho tem. Aliás, são esses contrastes todos que tornam Sacro GRA um filme bastante vivo, apesar de poder indicar o contrário, devido à sua estrutura.
O único ponto negativo é porventura, e apesar do conceito subjacente potencialmente fascinante, sentirmos que o documentário vai a muitos lados, mas acaba com a sensação que não foi a nenhum lado concretamente. Ao retratar tantas realidades dentro da cidade, não distribuiu a importância equitativamente pelas mesmas, tornando umas mais superficiais que outras.

Todavia, o que se nota é que o filme de Gianfranco Rosi é ambicioso e feito com e por amor. O povo de Roma ficou com certeza contente e o Leão de Ouro, que já ganhou, comprova que é um filme que vale a pena ser visto.

 

O Melhor: Os contrastes das paisagens e dos relatos
O pior: Não ir concretamente a lado nenhum

 

– See more at: http://ftp.c7nema.net/critica/item/41516-sacro-gra-por-nuno-miguel-pereira.html#sthash.rDZzT0vQ.dpuf

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s