22 de Julho, 19h: “Para lá das Colinas”

dupa-dealuri-204080lRealização: Cristian Mungiu

Argumento: Cristian Mungiu e Tatiana Niculescu Bran
Intérpretes: Cosmina Stratan, Cristina Flutur, Valeriu Andriuta

FRA/BEL/ROM, 150ʼ, 2012, M/16

Depois de alguns anos na Alemanha, Alina (Cristina Flutur) regressa à sua pequena cidade, na Roménia, em busca de Voichita (Cosmina Stratan), a única pessoa que alguma vez amou. Sem família ou amigos, elas foram criadas num orfanato muito pobre. Durante o tempo que estiveram separadas, Voichita mudou-se para um convento ortodoxo, onde se tornou uma pessoa diferente, totalmente entregue a Deus. Determinada a salvar a amante daquele lutar perverso e punitivo, e levá-la consigo, Alina desafia a instituição e aqueles que a representam. Mas, munidos de uma fé cega que tudo justifica, os monges acusam-na de possessão, submetendo-a a um exorcismo brutal que culminará em tragédia. É então que se dá início a um inquérito policial que tentará esclarecer os acontecimentos que tiveram lugar no convento.
Um filme dramático realizado pelo aclamado realizador romeno Cristian Mungiu (vencedor da Palma de Ouro em Cannes com o filme “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”), cujo argumento se baseia na obra não-ficcional da jornalista Tatiana Niculescu Bran (também argumentista), que explora um evento real que teve lugar numa igreja ortodoxa romena em 2007.

O filme, estreado em Cannes em 2012, ganhou o prémio de Melhor Argumento. PÚBLICO

 

O realismo segundo Cristian Mungiu

O realizador romeno Cristian Mungiu é um muito especial retratista do universo feminino: no caso de “Para Lá das Colinas”, parte de factos verídicos para encenar a odisseia trágica de duas jovens num convento na Moldávia.

Personalidade emblemática do mais moderno cinema romeno, Cristian Mungiu tem a sua trajectória indissociavelmente ligada a Cannes (aliás, curiosamente, este ano – 2013 – integrou o júri presidido por Steven Spielberg).

Com a sua Palma de Ouro de 2007 (“4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”), Mungiu não só afirmou a singularidade da produção do seu país, como deixou a expressão de uma lógica realista que nunca abandonou.

“Para Lá das Colinas” é o filme com que Mungiu regressou a Cannes, em 2012, mais uma vez sendo distinguido, neste caso com o prémio de melhor argumento; as suas duas actrizes principais, Cosmina Stratan e Cristina Flutur, receberam, ex-aequo, o prémio da melhor interpretação feminina.

Inspirado em factos verídicos, relatados pela escritora Tatiana Niculescu-Bran, “Para Lá das Colinas” narra, metodicamente, com obsessiva atenção aos detalhes, um processo em que a prática religiosa desemboca na mais sádica intolerância.

Repare-se: Mungiu não fez um filme “contra” a religião (seja ela qual for), quanto mais não seja porque a intensidade do seu realismo remete para situações muito concretas, não para abstracções generalistas; fez, isso sim, um filme sobre a emergência de uma lógica repressiva em que uma determinada crença é aplicada, por alguns, como um credo universal e incontestável. (João Lopes, in Cinemax)

 

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