1 de Julho, 19h: “Frances Ha”

Frances blog1Realização: Noah Baumbach

Argumento: Noah Baumbach e Greta Gerwig
Intérpretes: Greta Gerwig, Mickey Sumner, Adam Driver

EUA / 86ʼ / 2012

Aos 27 anos, Frances chega a Nova Iorque absolutamente determinada a realizar o seu sonho mais antigo: tornar-se bailarina numa importante companhia de dança. Ao mesmo tempo que se vai esforçando por ser feliz no dia-a-dia e aproveitar os detalhes mais doces da sua vida, ela vai provando a si mesma que, apesar das dificuldades, será capaz de atingir tudo aquilo a que se propuser. E é assim, completamente convicta de cada um dos seus passos, que vai aprender a conquistar o mundo…
Com realização de Noah Baumbach (“A Lula e a Baleia”, “Margot e o Casamento”, “Greenberg”), que escreve o argumento em parceria com Greta Gerwig, também protagonista do filme, uma história sobre sonhos e expectativas de uma jovem que se recusa a perder o optimismo ou a crença na Humanidade. PÚBLICO

 

Nova Iorque, aqui e agora

Noah Baumbach, o cineasta de “A Lula e a Baleia”, regressa com “Frances Ha”: uma crónica da vida de Nova Iorque que tem o seu principal trunfo em Greta Gerwig, actriz e co-autora do argumento.

Será que o clássico “Manhattan” (1979), de Woody Allen, deixou descendentes?… Apetece responder da forma mais óbvia: a sua descendência está na própria obra de Allen, com toda a sua fascinante galeria de retratos novaiorquinos. Em todo o caso, agora, podemos dizer que há um novo filme filiado nessa “tradição”: chama-se “Frances Ha” e serve de prova real do talento de Greta Gerwig, actriz e co-autora do argumento.

Noah Baumbach, que realizou e escreveu o argumento em colaboração com Gerwig, não esconde que, de facto, “Manhattan” foi uma inspiração muito consciente (até mesmo a fotografia é a preto e branco). Em boa verdade, só lhe fica bem tal frontalidade, uma vez que “Frances Ha” nada tem a ver com qualquer atitude copista. Bem pelo contrário: a referência tutelar de Woody Allen é apenas um ponto de partida para olhar Nova Iorque, aqui e agora.

Frances Ha, precisamente a personagem interpretada por Gerwig, corresponde a uma espécie de modelo (social e emocional) de algumas formas de vida contemporâneas: ela é alguém que partilha um aparatamento com uma amiga, ao mesmo tempo que tenta encontrar alguma estabilidade de emprego… Dito de outro modo: corresponde a uma certa instabilidade urbana que Baumbach, um pouco na linha do seu “A Lula e a Baleia” (2005), filma num misto de realismo clínico e ironia distanciada.

A energia, a alegria e a riqueza emocional de “Frances Ha” mostram, afinal, que é possível continuar a fazer um cinema “psicológico” que não perca o contacto com o tempo presente (para mais, utilizando com impecável rigor as potencialidades das novas câmaras digitais). E não será arriscado prever que Gerwig se vai consolidar como um dos casos sérios da actual produção americana: ela tem o talento e, mais do que isso, o carácter imprevisível de um genuíno “bicho” de cinema.

(João Lopes, in Cinemax)

 

 

 

 

 

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