24 de Junho, 19h: “Gloria”

Gloria blogRealização: Sebastián Lelio

Intérpretes: Paulina García, Sergio Hernández, Diego Fontecilla

ESP/CHILE, 2013, 110’

Com 58 anos e divorciada há mais de dez, Gloria (Paulina Garcia) está decidida a não se deixar abater pela solidão. Por isso mesmo, diverte-se nas várias discotecas e bares de Santiago, Chile. Mas, um dia, conhece Rodolfo, um ex-oficial da Marinha um pouco mais velho, com quem vive uma arrebatada história de amor. Agora, com Rodolfo na sua vida, Gloria vê-se a desejar um compromisso mais sério e definitivo, que lhe preencha o vazio da sua existência. Porém, esta paixão parece estar condenada ao fracasso e, por mais que ambos se amem, parece que o passado teima em marcar presença nas suas vidas.
Estreado na 63.ª edição do Festival de Cinema de Berlim (2013), um filme dramático que valeu a Paulina Garcia o prémio de Melhor Actriz. PÚBLICO

 

 

Realismo e melodrama em tom chileno

Do cinema chileno continuam a chegar-nos algumas propostas muito interessantes: “Gloria” é o retrato íntimo de uma mulher de meia idade que valeu a Paulina García um prémio de interpretação no Festival de Berlim.

Conhecemos mal a produção cinematográfica do Chile. Mas o que conhecemos é muito interessante — estou a pensar, em particular, na trilogia de filmes de Pablo Larraín — “Tony Manero” (2008), “Post Mortem” (2010) e “Não” (2012) — que corresponde a uma visão particularmente subtil e incisiva da ditadura de Augusto Pinochet.

Pois bem, o realizador Sebastián Lelio (nascido em 1974, em Santiago) surge da mesma área, aliás fazendo parte de um colectivo de produção a que Larraín também pertence. O seu filme “Gloria” — que valeu o prémio de interpretação feminina a Paulina García, no Festival de Berlim de 2013 — é mais um caso exemplar de um cinema que, nos mais diversos registos, não abdica da vibração de um realismo à flor da pele

A história da personagem central parte de uma situação que corresponde a um modelo corrente (chamemos-lhe a crise da meia idade…) e que, a pouco e pouco, se vai transfigurando num painel e muitas e delicadas emoções. Dir-se-ia que o desejo de superação pelo amor, inerente à tradição do registo melodramático, é algo que marca, antes do mais, a própria atitude de Gloria face aos homens e aos elementos da sua família — nesta perspectiva, a crónica social é também um conto moral de (re)aprendizagem das relações humanas.

A composição de Paulina García é, de facto, uma proeza invulgar. E não só porque rapidamente a identificamos como uma actriz invulgar. Ela consegue, afinal, expor as tensões interiores de Gloria sem que, em momento algum, a encaremos como personagem “redentora”. O realismo faz-se disso mesmo: é uma arte de nos dar a conhecer as personagens e também aquilo, sobre o seu próprio comportamento, elas nem sempre compreendem.

Crítica de João Lopes (Cinemax)

 

 

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