27 de Maio, 21.30h: “Capital de Risco”

FarockiRealização: Harun Farocki

Argumento: Harun Farocki, Matthias Rajmann

Imagem: Ingo Kratisch
Montagem: Max Reimann

ALE, doc, 50ʼ, 2004

Representantes de uma empresa média e de uma companhia de capital de risco encontram-se para iniciarem conversações. Com a concessão de um empréstimo pretende-se fabricar, em série, uma invenção técnica. Farocki cinge-se a uma observação sem comentários e à montagem de duas conversações até à assinatura do contracto. Um olhar microscópico a uma célula da economia de hoje, uma etnografia do quotidiano económico.

 

Harun Farocki (Nový Jičín, 1944) é um dos mais importantes cineastas europeus da atualidade. Elemento fundamental das novas vagas alemãs, o seu olhar crítico desenvolve um cinema em que a questão da imagem e do poder se cruzam, demonstrando uma capacidade única de problematização, provavelmente, apenas comparável à de Jean-Luc Godard.
A sua capacidade é também demonstrada na influência que teve na mais recente vaga de realizadores alemães, sendo presença expressa e acarinhada por nomes como Christian Petzold, ou Thomas Arslan. Essa influência leva a pontes entre o documentário e a ficção, como por exemplo entre “Capital de Risco” (Farocki, 2004) e “Yella” (Petzold, 2007), onde podemos ver como os contributos do estudo do primeiro resvalaram para os desenvolvimentos do segundo.
A sua capacidade única de compreender a questão da imagem e a representação, alicerçada numa base teórica sólida, liga-se com um percurso que, tal como muitos dos nomes das novas vagas, passou pela crítica, colaborando em publicações como a Filmkritik, em círculos que beneficiavam da influência de Straub e Huillet (notório num certo exercício brechtiano). Uma geração que se desenvolve nos finais dos anos 60, numa relação conturbada com a recentemente instituída “Escola de Berlim” (Deutsche Film- und Fernsehakademie Berlin – DFFB).
Em “Capital de Risco” podemos ver todos os atributos deste realizador, num documentário que nos leva pelos interstícios do capitalismo financeiro. O estilo observacional que marca o cinema “farockiano”, com os seus movimentos precisos, planos fixos que cativam a atenção, presença discreta da câmara em forma voyeurística, permite desenvolver uma perspetiva crítica única, que nos leva muito para lá dos lugares-comuns do quotidiano. Ao observarmos a linguagem e os modos destes “empreendedores financeiros”, num registo etnográfico do contemporâneo, podemos perceber a extraordinária capacidade deste realizador alemão de conseguir entrar e desenvolver os seus temas, na forma como continuamente joga com a imagem e a representação contribuindo para o desenvolvimento de uma perspetiva crítica, sem necessidade de se assumir como encenação performativa exacerbada de outros autores.
Em 2004, “Capital de Risco” apresentava já de forma clara o sistema responsável pela crise financeira que eclodiu em 2008. Pela sua atualidade, pela sua riqueza plástica, pela capacidade de nos fazer pensar e, sobretudo, pela sua qualidade cinematográfica, “Capital de Risco” é um filme único, que é fundamental ver. (Gonçalo Leite Velho)

Vamos poder exibir este filme graças ao apoio do Goethe Institut.

O filme será apresentado pelo Prof. Gonçalo Leite Velho.

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