29 de Abril, 21.30h: “China – Um Toque de Pecado”

ChinaRealização: Jia Zhang-ke

Argumento: Jia Zhang-ke

Intérpretes: Jiang Wu, Li Vivien, Wang Baoqiang

Japão/China, 2013, 133’

Quatro histórias independentes interligam-se cronologicamente e mostram diferentes perspectivas da violência: um mineiro que se revolta contra a corrupção dos chefes da sua aldeia; um homem que regressa a casa e descobre as várias possibilidades de uma arma de fogo; uma recepcionista de uma sauna que é assediada por um cliente rico; e, finalmente, um jovem trabalhador fabril que luta desesperadamente por uma vida melhor. Quatro pessoas distintas, quatro províncias de um único país, uma reflexão sobre a China contemporânea.

 

Realismo em tom chinês

Observador paciente da história recente da China, Jia Zhangke reaparece com uma teia magnífica de quatro histórias assombradas por várias formas de violência: “China – Um Toque de Pecado” arrebatou o prémio de argumento em Cannes.

Há cineastas cujo olhar se distingue por um misto de didactismo e obstinação. Assim acontece com o chinês Jia Zhangke. Através de títulos como “Plataforma” (2000), “24 City” (2008) ou “Histórias de Shangai – Quem Me Dera Saber” (2010), ele tem sido um observador atento do seu país, evoluindo num registo capaz de combinar a apetência documental como a arquitectura ficcional.

Chega-nos agora o magnífico “China – Um Toque de Pecado” (distinguido com o prémio de argumento de Cannes/2013), filme tanto mais surpreendente quanto arrisca num registo que, não sendo original, implica sempre uma cuidadosa gestão das nuances temáticas e emocionais. Dito de outro modo: este é um “puzzle” de quatro histórias que encaixam através de um tema comum (aliás explicitado pelo próprio realizador, desde logo na conferência de imprensa de Cannes). Ou seja: a emergência de formas desgarradas de violência no quotidiano da China contemporânea.

Descobrimos, assim: um jovem que tenta combater a corrupção dos dirigentes da sua aldeia; um trabalhador que começa a usar a sua espingarda para resolver os seus conflitos; uma empregada de uma sauna que vai resistindo ao assédio de um cliente; enfim, um homem à deriva que não consegue um emprego estável… Que é que os liga? Pois bem, esse sentimento paradoxal de habitarem um país em que a exuberância do desenvolvimento económico vai a par do esvaziamento das relações humanas.

Jia Zhangke é, antes do mais, um realista. Não porque o seu trabalho se refugie num “espontaneísmo” mais ou menos superficial, antes porque a sua câmara trabalha, pacientemente, para expor as subtilezas dos comportamentos individuais e as tensões dos lugares públicos e privados. “China – Um Toque de Pecado” é, por isso, um exemplo de uma virtude narrativa tantas vezes exaltada, mas raras vezes concretizada: a capacidade de construir o universal a partir de elementos absolutamente regionais. (João Lopes, in Cinemax)

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s