15 de Abril, 21.30h: “Like Someone in Love”

KiarostamiRealização: Abbas Kiarostami

Argumento: Abbas Kiarostami
Intérpretes: Rin Takanashi , Tadashi Okuno, Ryo Kase

FRA / JAP, 109ʼ, 2012

Akiko (Rin Takanashi) é uma jovem japonesa que secretamente se prostitui para pagar os estudos universitários. Ninguém, nem mesmo o seu namorado Noriaki (Ryo Kase), sabe desta actividade. E ela protege esse segredo não apenas pelo medo do julgamento, mas também pela sua própria dificuldade em lidar com a situação. Um dia, conhece Takashi Watanabe (Tadashi Okuno), um velho professor catedrático, que se torna seu cliente regular e é, em todos os aspectos, a absoluta antítese de Noriaki. É assim que, inesperadamente, Akiko se começa a sentir dividida entre um namorado jovem, mas rude e ignorante, e um velho amável com quem consegue uma partilha intelectual que a faz sentir-se viva e, acima de tudo, respeitada.

Um filme com argumento e realização do iraniano Abbas Kiarostami (“O Sabor da Cereja “, “Através das Oliveiras”, “O Vento Levar-nos-á”, “Shirin”, “Cópia Certificada”), que foi nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2012.

 

Por vezes, os grandes cineastas exprimem-se através dos registos mais ligeiros, porventura mais fúteis… Assim acontece com o filme de Abbas Kiarostami que, em 2012, esteve presente no Festival de Cannes: “Like Someone in Love” é uma comédia quase romântica num registo quase burlesco, ilustração admirável de um génio cinematográfico que não se cansa de experimentar os limites da sua própria linguagem.

No centro do filme está uma estudante que se prostitui. Ao visitar um velho professor, depara com uma recepção insólita, já que o cliente insiste em… oferecer-lhe um jantar que ele próprio vai confeccionar. As coisas tornam-se ainda mais desconcertantes quando o namorado da estudante conhece o professor, julgando que é o seu avô… A ponto de lhe pedir a mão da neta…

Tudo isto surge filmado como um delicioso bailado de encontros e desencontros, evidências e máscaras, em que, em boa verdade, não sabemos onde termina a “verdade” e começa a “mentira”. Como se o filme, na sua aparência quase documental, fosse uma fábula sobre os enigmas do comportamento humano: ninguém sabe quem é o outro porque, em boa verdade, cada um já é o outro de si mesmo.

Kiarostami prosegue, assim, um cinema de delicada filigrana (e irresistível humor) em que as imagens e os sons são desafiados a esgotar a sua significação tradicional. No limite, “Like Someone in Love” é uma farsa sobre os equívocos dos laços amorosos ou, se quisermos recorrer à lição psicanalítica, sobre a relação sexual como algo que não existe…

Para prolongar o seu universo de ironia e gravidade, ligeireza narrativa e monumentalidade formal, Kiarostami foi, desta vez, ao Japão. Dir-se-ia que, depois de “Cópia Certificada” (2010), rodado em Itália, ele se dá bem com cenários estrangeiros. Em última análise, as teias humanas destes filmes são prolongamentos dos labirintos de relações que, desde “Close-up” (1990) até “O Vento Levar-nos-á” (1999), ele já tinha filmado no Irão. (João Lopes, in Cinemax)

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s