18 de Março, 21.30h: “Under Strange Skies”

foto_sob ceusRealização: Daniel Blaufuks

Texto e pesquisa: Daniel Blaufuks

Voz “cartas”: Christoph Eichhorn

Voz “escritores”: Bruno Ganz

Produtor: Luis Correia

POR / doc / 57ʼ / 2002

Para a história da 2ª Guerra Mundial, Lisboa será sempre lembrada como um lugar de refúgio, mas sobretudo de passagem e fuga.

Este filme recorda histórias dessa Lisboa do início dos anos 40, contadas na primeira pessoa por um descendente desses tempos de convulsão, através das memorias, fotos de família e relatos daqueles que por cá passaram.

 

Quando passeio entre as campas do cemitério judaico em Lisboa, reconheço os nomes gravados na pedra, como se estivesse num cemitério de aldeia. Nos tempos da Segunda Guerra Mundial, Lisboa foi um corredor de passagem entre a Europa e as Américas para muitos refugiados. Das 50 mil a 200 mil pessoas que passaram por Lisboa nessa época, apenas cinquenta aqui ficaram. Entre elas encontravam-se os meus avós.

Aqui morreram e aqui viveram as suas vidas, que teriam sido completamente diferentes, se tivessem, como tantos outros, seguido o caminho das Américas. Do norte ou do sul, consoante o seu plano de fuga de uma Europa em chamas. (Daniel Blaufuks)

 

O filme de Blaufuks evoca a experiência de exílio de refugiados judeus em Lisboa durante e depois da Segunda Guerra Mundial, quando a cidade foi um corredor de passagem para a América. Filmado como memória pessoal e familiar (os avós judeus alemães de Blaufuks contam-se entre as cinquenta que ficaram das cinquenta mil a duzentas mil pessoas que então passaram por Lisboa, onde chegaram em abril de 1936: “Segundo as cartas do meu avô, o mar esteve calmo e a viagem foi aborrecida”) e como história coletiva (a partir de documentos, imagens de arquivo, textos literários): “Dos que seguiram caminho pouco ou nada ficou. Nos museus portugueses não existem, por exemplo, obras de Marc Chagall. Nas memórias dos escritores Heinrich Mann, Hans Sahl e Hertha Pauli, Lisboa não merece mais do que um breve capítulo ou uma nota de rodapé. Erich Maria Remarque não passou por cá durante a guerra. No seu famoso romance Uma Noite em Lisboa, escrito apenas em 1962, a cidade é pouco mais do que título e pano de fundo para outra história. É na Neutralia de Arthur Koestler, na avenida das palmeiras e nos cafés dos refugiados, que mais a reconhecemos. No entanto, em Arrival and Departure, editado ainda durante a guerra, Lisboa nunca é, de facto, nomeada”.  (Cinemateca Portuguesa)

Noite conjunta com o Nucleo De Fotografia Ipt.

Os alunos do Curso de Fotografia do IPT pagam o mesmo preço que os sócios do Cineclube (1€)

 

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