28 de Janeiro, 21.30h: “Esquece Tudo o Que te Disse”

Esquece blogRealização: António Ferreira

Intérpretes: Amélia Corôa, António Capelo, Custódia Gallego, Fernando Taborda

POR 2002, 108’, M/12

VO com legendas em inglês

Esquece tudo o que te disse”, a primeira longa-metragem de António Ferreira, que assinou a premiada média-metragem “Respirar (debaixo d’água)”, é a história de uma família. Os pais, a filha, o namorado, a sobrinha, o avô, a criada, e um bode… que está sempre a ser confundido com uma cabra! Uma história de amores, ódios, separações e reencontros.

Felizbela (Custódia Gallego) ama de forma descontrolada e possessiva o seu marido, cercando-o com uma mistura explosiva de paixão e ciúme, que fatalmente acabará em ódio. E para conservar a sua atenção não olha a meios, sofrendo e humilhando-se para reconquistar o seu amor.
Mas Messias (António Capelo) já pouco consegue fazer para esconder um certo desencanto pela vida e um desprezo inconfesso pela mulher.
E um dia, Bárbara (Amélia Corôa), sobrinha de Felizbela, jovem frágil e revoltada, irrompe nesta família e desequilibra tudo: a prima, a tia, e sobretudo Messias, que finalmente se deixará levar pelas emoções… Mas Felizbela não se conforma e tudo fará para salvar a sua família.

Esquece…” é mais frágil como objecto que “Respirar”, mas possui a mesma urgência, o mesmo sentido desgarrado da perda das raízes, semelhante olhar agridoce sobre a disfuncionalidade da célula familiar. Construído em torno de bruscas oscilações de tom e rasgões narrativos, possui uma força que permanece depois da visão: um humor negro e corrosivo (o bode é um achado como transporte de energias), aparece contaminado de uma sentimentalidade quase piegas, muito portuguesa, desmontada aliás por todo o distanciamento operado pela música ou pela presença (sempre sentida) do olho da câmara. O uso cinematográfico de actores de (recente) forte imagem televisiva, António Capelo e Custódia Gallego, excelentes, confere à ficção uma invejável aparência de “naturalismo”, que a construcção complexa desta fábula portuguesa faz constantemente explodir. Um belíssimo olhar sobre as contradições de ser português. (Mário Jorge Torres, in Cinecartaz).

Filme cedido pela Persona Non Grata Pictures, e apresentado por Margarida Mateus.

 

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