21 de Janeiro, 21.30h: “A Nossa Forma de Vida”

A nossa forma..Realização: Pedro Filipe Marques

Imagem e som: Pedro Filipe Marques
Montagem: Tomás Baltazar, Pedro Filipe Marques

Mistura de som: Elsa Ferreira

POR / doc / 91ʼ / 16:9 / 2011

A Nossa Forma de Vida, de Pedro Filipe Marques, é um retrato de Portugal em micro-cosmos num apartamento do Grande Porto, visto através do quotidiano de um casal idoso, o sr. Armando que ainda se agarra aos ideais revolucionários e a D. Fernanda que vê as novelas e não lê jornais porque já ouviu tudo na televisão na véspera. Com um misto de ternura e lucidez, entre a gargalhada e a irritação, Marques desenha neste olhar sobre os seus avós um retrato à la minuta do “país real” de que todos falam mas que ninguém conhece. (Jorge Mourinha)

 

A Nossa Forma de Vida, de Pedro Filipe Marques (Melhor Filme da competição nacional DocLisboa 2011), sob influência de Amour, de Michael Haneke (Palma de Ouro de Cannes 2012)… O pícaro retrato tirado oito andares acima do solo revela-se, afinal, tocado…

Não são os filmes que se influenciaram, bem entendido; o olhar que regressou ao filme português é que aconteceu estar tocado pela experiência do apartamento, no trespassing para os vivos, do filme austríaco.

É verdade que Haneke conta a história de um casal, Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, e de um terceiro, a Morte, que lhes entrou em casa como um pombo (é uma história de cerrar fileiras para não deixar entrar os vivos) e é verdade que o casal do Porto não abdica de olhar para a vida do lado de fora da janela e só se cruza com a morte num diálogo, lá para o final, ficando tudo ao nível do sonho: quando D. Fernanda diz ao marido, o Sr. Armando, veterano comunista, que sonhar com dentes significa morte certa nas redondezas.

Aparentemente, então, o único fantasma por ali seria o do neto, o realizador, que se esforça para permanecer invisível com a câmara. Mas já antes dessa conversa sobre os dentes A Nossa Forma de Vida era um filme “ocupado”…

Aquela torre, os planos ao som de A Internacional que Pedro Filipe Marques escolhe para mostrar o apartamento onde vivem os avós, vai-se parecendo cada vez mais com uma barricada: separa um mundo de regras próprias onde os outros não têm lugar, uma geografia onde a memória já só se espraia lentamente… A recorrente sobreposição do reflexo de Fernanda e Armando na janela com o “lá fora” não nos mostra uma inserção no mundo, mas algo a ser reinventado “lá dentro”. Afinal, há mais presenças invisíveis para além do neto cineasta — cujo tra­balho, na verdade, é estar atento a captar todas as manifestações de possibilidades.

Há qualquer coisa de veemente nesta fragili­dade, na fragilidade de Armando/Fernanda, na fragilidade de Trintignant/Riva: a distorção, a suave loucura. Diz-nos que a realidade, se calhar, não existe. Que a “velhice” talvez seja uma zona de verdade: põe-nos em contacto com o grande nada.

A Nossa Forma de Vida é uma história de Amour. Que é uma cobiça, entra pelos olhos e sai pela hortaliça… (Vasco Câmara)

Menção Especial do Júri no festival Cinéma du Réel 2012

Melhor Filme, Melhor Realizador e Prémio D. Quixote (Júri Internacional FICC) no festival Caminhos do Cinema Português 2012

 

 

 

 

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