23 de Maio, 19h: “Laurence para Sempre”

Laurence blog_Realização: Xavier Dolan

Intérpretes: Melvil Poupaud, Suzanne Clément, Nathalie Baye

CAN/FRA 2012, 159’, M/16

Anos 90. Laurence e Fred (Melvil Poupaud e Suzanne Clément) são namorados e vivem na cidade de Montreal, Canadá. A sua relação, até então perfeita, sofre um terrível choque quando ele anuncia que quer tornar-se mulher. Com este novo facto ambos tomam consciência de que tudo, à excepção do seu amor, se alterou para sempre. Contudo, decididos a avançar lado a lado, vão lutar contra todas as adversidades, enfrentar o preconceito de familiares e amigos e encarar as fobias da sociedade que, aparentemente, estão a ofender. O filme segue dez anos da sua história.

Um filme dramático escrito e realizado pelo jovem realizador Xavier Dolan (“Como Matei a Minha Mãe””, “Amores Imaginários”) que é, segundo as suas próprias palavras “uma homenagem ao período da minha vida, antes de me tornar realizador, em que tive de me tornar um homem”.

 

[…] LAURENCE PARA SEMPRE em nada rompe com o que Dolan já nos mostrou. Barroco nas formas, ocasionalmente histriónico nos diálogos e com alma de grande teledisco, o filme acompanha retalhos da vida de um professor que vive um dia a dia arrumado. Trabalho, uma relação estável… Mas que desde sempre sentiu que nascera com o corpo errado. O processo de transição, a forma como a mulher com quem vive, a família e colegas reagem evoluem entre saltos no tempo, porém sob uma condução narrativa que partilha um permanente diálogo com uma demanda de sons e imagens que faz afinal do filme um corpo que se afirma essencialmente como uma experiência estética (o que não significa, note-se, um abafar do tema, antes juntando esse texto ao contexto, um diluindo-se no outro).

Se a personalidade compósita que é expressão natural de uma linguagem em formação na era da informação – onde tantos dados circulam e podem ser assimilados – tem aqui a sua mais evidente expressão de um “eu” ainda em construção, as citações continuam a morar sem receio no cinema de Xavier Dolan. Das folhas que caem do céu como no “Written In the Wind” de Douglas Sirk ao desfile de rostos e poses como na versão do teledisco de “Fade To Grey” dos Visage que está disponível no DVD antológico da banda, LAURENCE PARA SEMPRE herda elementos de uma genética que, afinal, é o DNA que constrói este olhar. Junta-se ainda a música de uns Fever Ray, Depeche Mode, Tindersticks, Kim Carnes, Beethoven ou Duran Duran (dando maior visibilidade que nunca ao brilhante “The Chauffeur”, a canção do álbum Rio que nunca foi single – e devia ter sido), somam-se olhares que por vezes abandonam a medula da narrativa para observar gentes e lugares ao seu redor e uma espantosa composição do protagonista por Melvil Poupaud, e encontramos em LAURENCE PARA SEMPRE uma das melhores supresas deste ano. É que, depois do passo em falso de “Amores Imaginários”, a ambição evidente deste projeto poderia ter acabado num verdadeiro tropeção. Pelo contrário, e mais que nunca, mostra porque em Xavier Dolan podemos encontrar uma das vozes mais interessantes da sua geração. (Nuno Galopim, in Sound and Vision)

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