29 de Novembro, 19h: “4:44 Último Dia na Terra”

Realização: Abel Ferrara

Intérpretes: Willem Dafoe, Shanyn Leigh, Natasha Lyonne

EUA, Suiça, FRA 2011, 85’, M/16

Cisco e Skye (Willem Dafoe e Shanyn Leigh) são um apaixonado casal nova-iorquino, com mil e um projectos pela frente. Hoje vivem ambos o penúltimo dia das suas vidas, pois às 4h44 da próxima madrugada todo o planeta Terra vai colapsar. O que eles – e os outros sete mil milhões de seres humanos – estão à espera durante as próximas horas é a extinção total da vida no planeta. Com o peso desta informação e conscientes de que nada há que possam fazer para o evitar, terão de viver o pouco tempo que lhes resta e encontrar uma maneira de lidar com o significado de tudo isso…
Um filme-catástrofe que reflecte os efeitos do Homem sobre a Natureza, escrito e realizado por Abel Ferrara (“Polícia Sem Lei”, “Os Viciosos”, “Chelsea Hotel”). PÚBLICO

Este filme tem gerado grande controvérsia, e opiniões contraditórias. Filme-catátrofe sem efeitos especiais, tiros, explosões ou fogo de artifício. Por isso, reproduzimos duas críticas opostas tiradas da nossa imprensa especializada.

O que é muito, muito bonito, neste filme feito com mais vontade do que dinheiro, é que é o fim do mundo mas de um modo geral ninguém – nem o próprio Ferrara – parece especialmente transtornado com o facto. Nem pânico nem luto, é como se estivéssemos muito para além desses momentos, e as 4.44 fossem só a altura da confirmação daquilo que toda a gente já sabe: que isto acabou tudo. Ferrara não se despede do mundo, despede-se de um mundo que foi dele, povoado por artistas e boémios, uma clandestinidade abençoada que não tem mais por onde fluir, cercada por Skypes e ecrãs de televisão onde o mundo aparece como blábláblá. O que torna também especialmente bonito o último passeio de Willem Dafoe pela baixa de Manhattan, na única vez em sai do loft e do terraço, a caminhada pela ruína anunciada e o encontro com os amigos (o “toque”, que é difícil: implica esforço, movimento, é preciso entrar pela janela e tudo). Depois é esperar que tudo se torne white light (e white heat). Há um paraíso algures, como Ferrara, católico romano e católico warholiano, seguramente acredita. (Luis Miguel de Oliveira, in Ipsilon)
Há uns largos anos, a italiana Lina Wertmüller chamou a um filme seu “O Fim do Mundo na Nossa Cama Habitual numa Noite de Chuva”. O novo filme de Abel Ferrara aplica literalmente à sua história esse título: “4.44 Último Dia na Terra” é o fim do mundo vivido por um casal de artistas nova-iorquino do seu apartamento com vista para a cidade. Mas o resultado apenas confirma que Ferrara está preso no colete-de-forças da nostalgia de um certo romantismo do cinema independente nova-iorquino que ajudou a moldar. Mais do que do literal fim do mundo, é do fim do seu mundo que Ferrara está a falar, do fim dessa ideia da Nova Iorque selvagem e romântica – o que o torna também num filme de teimoso “velho do Restelo” que procura sem arte adaptar-se aos tempos modernos (ai aquelas conversas por Skype, ai aquela omni-presença das imagens de televisão). E, no processo de querer tornar as suas fraquezas em forças, o cineasta rende-se a um histrionismo narcisista e algo vão, onde só a espaços reconhecemos a sua velha fúria. (Jorge Mourinha, in Ipsilon)

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