5 de Julho, 19h: “O Cerco”

Realização: António da Cunha Telles

Interpretação: Maria Cabral, Ruy de Carvalho, Mário Jacques, Lia Gama

Portugal, 1970, 120 min, M/12

Lisboa, 1969. Originária da alta burguesia, Marta, de vinte e poucos anos, abandona o marido, em busca de uma condição de vida mais autêntica. Sabe o que repudia, mas sente-se confusa quanto ao que pretende. Hospedeira de terra de uma companhia de aviação, modelo de uma agência de publicidade, acaba por contactar Vítor Lopes, devido a problemas económicos. Trata-se dum contrabandista, que um dia aparece morto. Será culpa de Marta, devido a um descuido? Afinal, também para ela os dados estão lançados: continua só, mas talvez mais lúcida e responsável…

Estreado em Lisboa, no cinema Estúdio, a 14 de Outubro de 1970

Cunha Telles soube nesta obra encontrar o tom adequado ao incerto clima que então se vivia, entre certa transformação e certa frustração do incerto marcelismo inicial. E soube sobretudo descobrir uma actriz: Maria Cabral. Raras vezes um filme terá devido tanto a uma actriz, raras vezes terá sido tanto obra desta. O Cerco é sobretudo o milagre da espantosa fotogenia de Maria Cabral e de que como ela deu o seu belíssimo rosto a um personagem errante e cercado, tão vítima das suas própias contradições como das contradições da sociedade portuguesa nesse particular momento histórico. Graças a ela, o filme ganha carne e cerne e ficou como testemunho privilegiado desses anos de passagem.

O sinal não passou despercebido ao Poder. Este, que até aí ignorara escandalosamente as obras do cinema novo, deu-lhe os grandes prémios da S.E.I.T.: melhor filme, melhor actriz, melhor fotografia (Acácio de Almeida)……O triunfo de uma geração começava.

João Bénard da Costa, in Histórias do Cinema, Sínteses da Cultura Portuguesa, Europália 91, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa

“…Com Acácio de Almeida na câmara, música do jovem António Victorino d’Almeida e tendo no principal papel feminino a jovem Maria Cabral, que será no bem comportado cinema português uma ousada surpresa, surge O Cerco, novamente a luta pela vida na grande cidade e a denúncia dos mecanismos sociais, culturais e sentimentais que cercam o tímido insecto na teia da aranha perversa.Uma evidente frescura, uma natural e terna sensualidade no comportamento da jovem actriz, aqui e além uma nota de desespero, mas sempre em causa um espantoso instinto de sobrevivência, eis as principais características do filme. Considerado como um desvio na linha radical do novo cinema e até de algumas das produções do realizador, O Cerco, conseguiu amortizar-se no mercado interno e estrangeiro.”

Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col. Saber, 1986

Festival de Cannes 1970 – Quinzena dos Realizadores

Grande Prémio do SEIT em 1970

Prémios do SEIT à Melhor Fotografia (Acácio de Almeida) e Melhor Actriz (Maria Cabral)

Prémios da Casa da Imprensa – Melhor Realizador e Melhor Actriz (Maria Cabral)

Prémio Plateia à Melhor Actriz (Maria Cabral) – Prémio dos Críticos da Plateia ao Melhor Filme

Teremos o prazer e a honra de contar com a presença de António da Cunha Telles, que nos cedeu a cópia que vamos projectar.

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