29 de Março, 19h: “Pina”

Realização: Wim Wenders

Documentário

FRA/ALE, 2011, 103 min. M/6

Uma homenagem a Pina Bausch (1940-2009) pelo aclamado realizador Wim Wenders com coreografia da companhia Tanztheater Wuppertal a partir da obra da coreógrafa alemã. Traçado à volta de “A Sagração da Primavera”, “Café Müller”, “Kontakthof” e “Vollmond”, as quatro mais famosas peças da coreógrafa, o filme leva-nos numa viagem às profundezas da arte da dança, tendo como cenário a cidade de Wuppertal, Alemanha, que Pina Bausch escolheu para viver os últimos 35 anos da sua vida e que Wenders quis que se tornasse, ela mesma, uma personagem da história a contar.

“Pina” é o culminar de um projecto de duas décadas de Wim Wenders trazer para o cinema o “tanztheater” da coreógrafa alemã Pina Bausch, falecida em 2009. Não assistimos apenas ao registo de uma performance, mas sim a uma recriação de um movimento no espaço que explica porque é que Wenders disse que nenhum cineasta alguma vez foi capaz de explorar o movimento como Bausch o fez nas suas criações.

O que o realizador de “Paris, Texas” faz é, apenas, gerir o espaço. Com uma modéstia extraordinária (até improvável para alguém com a sua longuíssima, e aclamada, carreira), Wenders apaga-se por trás da obra da coreógrafa, cruzando quatro criações suas filmadas na Ópera de Wuppertal com solos dos bailarinos da companhia filmados em exteriores de Wuppertal, imagens de arquivo, momentos em que os bailarinos e colaboradores recordam Bausch e os conselhos que ela lhes deu. E essa gestão do espaço é crucial para que as peças da coreógrafa ganhem vida no écrã para lá de um simples registo de uma “performance” – é isso que torna “Pina” em cinema, em grande cinema, atento a cada gesto, a cada movimento, a cada emoção de um modo que só o cinema permite, mas sem nunca trair nem nunca nos fazer esquecer que a arte de Pina Bausch não é uma arte técnica mas sim profundamente humana.

“Pina” podia cair muito facilmente numa espécie de “greatest hits” filmados de Bausch, mas em vez disso é o melhor Wenders em quase uma década, objecto tão inclassificável como a arte da coreógrafa: um filme que não é documentário, que não é espectáculo filmado, que não é cinema narrativo, mas que é isso tudo ao mesmo tempo. E que é magnífico. (Jorge Mourinha, in Ipsilon)

Fonte: Cinecartaz Público

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