17 de Novembro, 19h: “Poesia”

Realização: Lee Chang-Dong

Interpretação: Yun Jung-hee, Lee David, Kim Hira

COREIA DO SUL/FRANÇA,

2010, 137 min.

Numa pequena cidade na província de Gyeonggi, na Coreia do Sul, Mija (Yun Jong-hee) vive sozinha com o seu neto. Já na casa dos sessenta, vive de uma pensão e do dinheiro que ganha como empregada de um idoso doente. Um acaso leva-a a inscrever-se num curso de poesia. Em busca de inspiração, Mija esforça-se para olhar o mundo como se fosse a primeira vez. Mas algo de trágico está para acontecer e ela descobre que, afinal, a poesia não existe apenas nas coisas belas da vida.

É a primeira vez que o coreano Lee Chang-Dong, regular dos grandes festivais de cinema, chega às salas portuguesas, e fá-lo com esta pérola preciosa que venceu o prémio de Melhor Argumento em Cannes 2010. Quem tiver visto o excelente “Lola” de Brillante Mendoza (que apresentámos em Outubro), poderá encontrar pontos comuns entre os dois filmes, que têm como heroínas matriarcas que lutam com os actos menos próprios dos seus netos. Mas Lee opta por um modo de pastoral bucólica e existencialista para o seu conto moral sobre a vida, acompanhando uma avó generosa (extraordinária Yun Jung-hee) que enceta uma verdadeira travessia do deserto onde a doença e a morte vão inevitavelmente de braços dados com o amor e a poesia.

Enganadoramente simples, “Poesia” utiliza uma elegante acumulação de pormenores para construir um filme assombrosamente denso sobre a memória e o esquecimento que fica connosco muito para lá dos planos finais (que, apropriadamente, fecham o círculo do rio que corre na cena de abertura). Belíssimo.

Prémio para o Melhor Argumento na edição de 2010 do Festival de Cannes.

Fonte: Cinecartaz Público

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