27 de Outubro, 19h: “Lola”

Realização: Brillante Mendoza

Interpretação: Anita Linda, Rustica Carpio, Tanya Gomez, Jhong Hilario, Ketchup Eusebio

FILIPINAS – 2009, 113’

Lola, em filipino, significa avó. O neto de Lola Sepa foi assassinado pelo neto de Lola Puring; ambas são muito pobres e é esta tragédia que ligará o seu destino: uma tentará encontrar forma de pagar o funeral do falecido, a outra, uma maneira de pagar a fiança do assassino.

Na primeira audiência de tribunal, o amor e a força das duas vão confrontar-se, pois estão ambas dispostas a tudo pelos netos, mesmo que um seja a vítima e o outro o homicida.

Filmando a odisseia de uma avó que procura o corpo do neto assassinado, as suas dificuldades para organizar o funeral, a sua incapacidade de fazer notar a sua existência pela Justiça, e o drama de uma outra avó cujo neto é o suspeito daquele assassínio, Mendoza juntou em “Lola” (“Avó”) o que eram duas histórias verídicas separadas. É uma atitude e um gesto de contornos algo “pulp fiction”, que poderia ter resultados grosseiros, óbvios – reparo que alguns continuam a fazer ao cinema de Mendoza.

Mas o que nos é devolvido é de uma subtileza imensa e intensa, tão frágil e tão lírico, mas tão destemido, como uma folha de papel ameaçada pelo vento. E que faz uma síntese e, simultaneamente, uma renovação dos procedimentos do cineasta: mistura não profissionais com actores (as “avós” são Anita Lindo e Rustica Carpio, vedetas do “star system” filipino) e continua a fazer-nos descobrir, através do périplo com as personagens pelas cidades, uma geografia física e humana implacáveis – como que querendo manter-se o mais próximo do documento de uma sociedade que (e é esse o ponto de Brillante), é uma ratoeira.

Retrata a cultura filipina focando os problemas sociais, a pobreza, a luta diária pela sobrevivência, mas também evidenciando um profundo respeito pelos idosos.

Prémio do júri no Festival de Veneza em 2009.

Fonte: Cinecartaz Público

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