15 de Setembro, 19h: “Um Ano Mais”

Realização: Mike Leigh

Interpretação: Jim Broadbent, Lesley Manville, Ruth Sheen, Peter Wight, Oliver Maltman, David Bradley

GB – 2010, 130’

Tom (Jim Broadbent) e Gerri (Ruth Sheen) atingiram a maturidade do amor e da felicidade, vivendo uma existência simples e descomplexada (ou, pelo menos, assim parece).

O mesmo, porém, não se pode dizer daqueles que os rodeiam: uma amiga (Lesley Manville) a passar por uma crise de meia-idade, um amigo (Peter Wight) alcoólico em busca de uma nova oportunidade no amor, o filho (Oliver Maltman) com a nova namorada, o irmão de Tom, Ronnie (David Bradley),em depressão após a morte da mulher.
Ao sabor das estações do ano, eles vão oferecendo conforto a quem os procura, ao mesmo tempo que vão revelando um pouco mais sobre si próprios.

A verdade é que todos conhecemos gente como a que aparece neste filme – gente que se esforça por ser feliz e que dá graças pelas suas pequenas bênçãos, gente perdida que não consegue reunir a energia para reencontrar o caminho. Personagens que ficam desenhadas com meia dúzia de pinceladas magistrais e que transformam “Um Ano Mais” na mais recente manifestação do olhar cirúrgico, lúcido, que Leigh lança sobre a Inglaterra contemporânea, erradamente descrito muitas vezes como fazendo parte do “realismo social”.

“Um Ano Mais” é um instantâneo desencantado sobre a solidão pelos olhos de quem não a sente.

Último filme (até agora) do realizador inglês Mike Leigh (“Nu”, “Segredos e Mentiras”, “Vera Drake”) estreou a concurso na Selecção Oficial de Cannes de 2010 e esteve nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Original de 2011.+

Paradoxalmente, “Um Ano Mais”, que nos parece exemplar do método Leigh no seu melhor, tem sido um dos seus trabalhos menos unânimes desde que estreou em Cannes, com as opiniões a abrangerem o espectro da aclamação incondicional à recusa mais absoluta.

Este texto foi feito a partir da crítica de Jorge Mourinha, publicada no Ipsilon em Janeiro deste ano.

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