18 de Agosto, 18.45h: “A Vida dos Outros”

Realização: Florian Henckel von Donnersmarck

Interpretação: Ulrich Mühe, Sebastian Koch, Martina Gedeck, Ulrich Tukur

ALEMANHA – 2006, 137’  M/12

Depois da queda dos regimes comunistas de Leste, houve um movimento de análise dos cineastas nacionais, apossando-se das memorias da repressão, da resistência, e das lutas levadas a cabo contra o poder vigente, e suas variantes.

É o caso de “A VIDA DOS OUTROS”, considerado um bom filme tanto na Europa, como na América dos Óscares.

Estamos na Alemanha de Leste, 5 anos antes da queda do Muro; a população é controlada pela polícia secreta – a Stasi. O capitão Gerd Wiesler, official da referida polícia, é incumbido de escutar/espiar a vida de um famoso escritor leste-alemão dos anos 80 e da sua companheira, uma actriz famosa.

O escritor, um protegido do regime, vê-se agora na situação de suspeito apenas por decisão do Ministro da Cultura, que se quer desenvencilhar dele para lhe “roubar” a mulher.

Acompanhamos no filme a gradual desilusão do especialista da Stasi, enquanto “vampiriza” na sua sala de escuta a vida do casal e do seu círculo de amigos, quase todos ligados ao meio artístico, e a compara com o seu quotidiano cinzento.

Bem documentado, o filme foi rodado no quartel-general da Stasi, hoje museu, e apresenta uma polícia política temível, metódica e inteligente, utilizando as ciências humanas para estudar os prisioneiros, determinar o seu grau de culpa, e optimizar a estratégia que os tornará inofensivos.

O argumento, complexo e lúcido, é acompanhado pelos tons “noir” da fotografia, estabelecendo uma atmosfera de medo, dúvida e suspeita, complementada com soberbas interpretações, e oferecendo-nos um “thriller” seco, que convence pela recriação histórica da confrangedora vida de indivíduos moldados pela sociedade em que viveram.

Pena é que o realizador tenha optado por um epílogo “edificante”, onde o polícia se torna no “herói sem mácula”, no justo que ele certamente não é.

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