11 de Agosto, 19h: “As Invasões Bárbaras”

Realização: Denys Arcand

Interpretação: Rémy Girard, Stéphane Rousseau, Marie-Josée Croze, Marina Hands, Dorothée Berryman, Louise Portal, Dominique Michel

CANADÁ/FRANÇA – 2002, 99’  M/16

Realizado pelo canadiano Denys Arcand em 1986, “O DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO”, tornou-se um objecto de culto depois do imenso êxito obtido em Cannes, onde ganhou o Prémio da Imprensa, além de vários prémios noutros festivais, tendo sido candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1987. Neste filme, 4 professores de História de uma universidade canadiana jantam com 4 amigos/amantes, e a conversa gira à volta de comportamentos e opções sexuais, de alguma maneira metáforas da sociedade em que se movimentam.

Dezoito anos depois, Denys Arcand retoma as mesmas personagens para fazer “AS INVASÕES BÁRBARAS”, obra intensa e provocadora, que complementa o trabalho anterior, podendo no entanto ser vista isoladamente.

Paira um clima de intranquilidade provocado pelos ataques terroristas de 11 de Setembro, no ano anterior. Rémy, professor de História no Quebec, tem 50 anos e a mesma vontade de viver de há 20 anos. Mas é-lhe diagnosticado um cancro inoperável.

Ao fazer contas à vida, descobre que tem muitas coisas para resolver no tempo que lhe resta; questões com a ex-mulher, os amigos socialistas, e sobretudo o filho Sebastien, actualmente um banqueiro a viver em Londres.

A relação pai/filho nunca foi boa, e cada um tem do outro uma visão pouco satisfatória. O filho considera o pai um homem distante e egoísta, preocupado apenas com a satisfação dos seus desejos. O pai vê o filho como o símbolo de todos os males do capitalismo.

Conciliadora, a mãe consegue que Sebastien regresse, pela primeira vez em muitos anos, e tenta restabelecer a paz entre eles.

Simultaneamente vão aparecendo os amigos, ex-colegas e amantes de Rémy, que decidem organizar um último jantar a celebrar a vida.

Filme sobre a morte, não como experiência triste ou deprimente, antes pelo contrário, mostrando-nos quão positiva pode ser a vida se a conseguirmos gozar plenamente.

Nota final para os actores, todos com emoções e reacções tão reais, e especialmente uma das melhores personagens do filme, Nathalie (que não só vende a Sebastien a heroína de que ele necessita para aliviar as dores do pai, mas também lhe ensina a compreensão e a tolerância). Marie-Josée Croze ganhou em Cannes, com este filme, o Prémio da Melhor Interpretação Feminina, e no ano seguinte o César da Melhor Promessa.

Além do Óscar em 2004, ganhou a Palma de Ouro em Cannes, e os Césares para Melhor Filme, Melhor Realizador, e Melhor Argumento em 2003.

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