21 de Julho, 19h: “Wendy & Lucy”

Realização: Kelly Reichardt

Interpretação: Michelle Williams, Lucy, a cadela, Will Oldham, John Robinson, Walter Dalton, Larry Fessenden

EUA – 2008, 80’  M/12

Chama-se “Night Choir” o livro de Jonathan Raymond que serviu de ponto de partida para o filme. O coro na noite é o dos comboios, silvo ouvido nos filmes americanos, a preto e branco, de Ford, Ray ou Walsh. Lembram-se?

Desta mesma realizadora foi apresentado em 2006 “Old Joy”, e a Wendy de agora parece-nos uma progressão do estado de alienação das personagens do filme anterior.

As duas obras são crónicas do desaparecimento da paisagem liberal americana, algo mítico que os “ventos” dos anos Bush varreram completamente, ficando os fantasmas de um dito “cinema social”, extinguido há muito, tanto na geografia como na paisagem humana.

Kelly Reichardt, a realizadora, trouxe o silvo da locomotiva de volta, e com ele um regresso à tal geografia humana que deixou de aparecer no “mainstream” cinematográfico.

O silvo dos comboios marca o percurso de Wendy e da sua cadela Lucy pelo Oregon, onde se avaria o carro, a caminho do Alasca.

“Quis fazer filmes que fossem sobre um momento no tempo: quando o país mudou para a direita, quando nos sentimos deslocados aqui. Fizemos “Wendy and Lucy” depois do furacão Katrina, e era clara, naquela altura, a animosidade contra os pobres da América. Para além do desinteresse, havia pura animosidade. Os dois filmes foram feitos nesses tempos, e tentámos mostrar a ineficácia do liberalismo.” – palavras da realizadora, em entrevista à revista “CINEASTE” (canadiana) que nos situam num mundo que constituiu património cinematográfico americano no tempo clássico do cinema, e que está cada vez mais longe, correndo o risco de desaparecer.

Nota especial para a a interppretação de agreste doçura de Michelle Williams, a Wendy que viaja em busca de trabalho acompanhada da sua cadela Lucy, única amiga, e único apoio emocional.

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